No dia 07.02.2015, curtindo uma chuvinha que batia na janela do meu quarto assim como uma "fossa" por conta de notícias nada animadoras na economia, no serviço e no escritório, procurei convergir sentimentos bons para tentar minimizar os efeitos desse cenário negativo lembrando de coisas boas. Assim, como era sábado de manhã, resolvi escrever sobre coisas boas de sábados de manhã de outrora. O resultado foi o texto que postei em minha página pessoal do facebook, como segue abaixo:
Por anos, sábado de manhã era sinônimo de ir para a Fazenda do meu avô Geraldo. Meu pai chegava no quarto meu e do meu irmão, puxava toda a coberta de cada num só arranque (não ficava nem o dedão do pé coberto) e dizia: "Cinco minutos para quem quiser ir para a Fazenda!". Acordávamos no susto e diante do dilema: Trocar de roupa e escovar os dentes ou tomar o café da manhã e ir para a Fazenda. Geralmente ficávamos com a primeira opção. Era a conta de trocar de roupa, pegar o kichute, a bola, a botina "Sete Léguas" (geralmente em cores nada a ver com Fazenda como verde, vermelha, amarela e azul) e dar tchau para minha mãe. Para o meu pai, cinco minutos era cinco minutos (ou exatos trezentos segundos no prego). Se hoje sou fissurado com horário e detesto chegar atrasado acho que isso, hoje, é reflexo da expressão "cinco minutos para a Fazenda". Se competíssemos com a Ferrari, eles trocando pneu de carro e nós para nos arrumar para ir para a Fazenda nós ganhávamos com folga. Se respeitássemos os cinco minutos, íamos para a caminhonete para pegar meu primo Breno Lanza Pena e meu tio Ronaldo Soares Pena.  Na frente da caminhonete iam meu pai, meu avô e meu tio. Mesmo pequenos, íamos na caçamba da F1000, sem cinto ou qualquer conforto. Íamos quietinhos, ao som dos assobios do meu avô de músicas que ele inventava na hora. Nunca ouvi um assobio igual ao outro vindo dele. A gente chegava na Fazenda e só ouvia do meu pai que por volta do meio dia a gente voltaria. Lá encontrávamos com o filho do caseiro que era da nossa idade: o nosso grande amigo, Roni (Roniglebes Aparecido Machado Antônio Pereira da Silva e mais uns dez outros sobrenomes que inventávamos que ele tinha). A gente tinha pouco mais de quatro horas para fazer um monte de coisa. Nós multiplicávamos essas quatro horas e a gente jogava bola, corria pelos pastos atrás das vacas e cavalos, ríamos, brigávamos, pescávamos, limpávamos o curral, tomávamos leite direto da ordenha, pegávamos bicho de pé, andávamos descalço no curral, tomávamos garapa (num moedor que só via água quando misturava o suco do bagaço da cana), brincávamos de rodeio montando nos bezerros (meu pai segurava os bezerros pela cabeça e montava a gente no pêlo sem qualquer corda e deixava o bicho pular de um lado pro outro). Essas quatro horas aos sábados pareciam uma semana de tanta coisa que a gente fazia. Era bom demais. Na volta, parávamos no Bar do Zico, logo na saída da Fazenda, em frente à Lagoa da Petrobrás e tínhamos direito a um refrigerante, um pernil (até hoje, meu irmão enche a boca salivando só de lembrar), e uma cocada. Nas curvas da estrada velha de Ibirité, voltando para casa, eu sempre botava pra fora o que ingeria no Bar do Zico. Eu chegava em casa, geralmente verde de enjoo. Tomava um banho que deixava para trás no mínimo uns cinco quilos de terra, bosta de vaca e poeira e íamos almoçar (geralmente, frango com quiabo, angu, arroz, feijão, mostarda, ovo frito e limonada, tudo vindo da fazenda). Enquanto almoçávamos minha mãe punha o leite para ferver. Um sempre era destacado para vigiar o leite. Era a conta de piscar e o leite subir tão rápido que sujava o fogão todo... Ê saudade boa desse tempo... Se você leu até aqui e quer saber porquê resolvi escrever isso saiba que escrevo isso para tentar povoar minha cabeça com pensamentos bons ante a tanta notícia ruim que ouvi nos últimos dias e vou dizer para vocês que lembrar dessa está me fazendo muito bem! (No final até chorar de saudade dos meus dois avôs que se foram e da minha avó que já se foi eu chorei. Queria abraça-los agora...) As fotos abaixo são do arquivo pessoal da minha família, provavelmente retratadas pelo meu tio, Ricardo. Bons tempos...
Eu e meu irmão, Henrique

Eu e meu irmão, Henrique

Meu avô Geraldo, meu primo Breno fazendo careta e eu ao fundo

Meu avô Geraldo, meu primo Breno fazendo careta e eu ao fundo

Meu avô Geraldo, Breno, Henrique e eu

Meu avô Geraldo, Breno, Henrique e eu

A casa sede da fazenda

A casa sede da fazenda

Represa da fazenda

Represa da fazenda

Eu correndo atrás dos bezerros

Eu correndo atrás dos bezerros

Eu no meio das vacas

Eu no meio das vacas

Meu pai e eu, montado no "Onofre" (um dos cavalos da Fazenda)

Meu pai e eu, montado no "Onofre" (um dos cavalos da Fazenda)

Eu no meio das vacas e bois

Eu no meio das vacas e bois

Botando os bezerros para correr no curral

Botando os bezerros para correr no curral..